
(para mim ele ainda é um buraco negro)
A-Na segunda-feira pela manhã, o Centro Cultural Banco do Brasil estava fechado para o público. Centro de São Paulo ensolarado - e sempre há nos dias alguém na minha frente com deformações nas pernas, que caminha com dificuldade por causa de problemas nos ossos, pelo uso de próteses, muletas, etc...- chego ao prédio que para mim tem sim a entrada livre, meus ossos do ofício.
Enfim, depois do que tinha de fazer, e antes do que tinha de fazer, pensei comigo que as salas da mostra de Anish Kapoor estariam fechadas e sem luz. Sendo assim, não teria como vê-las.
Enfim, depois do que tinha de fazer, e antes do que tinha de fazer, pensei comigo que as salas da mostra de Anish Kapoor estariam fechadas e sem luz. Sendo assim, não teria como vê-las.
B-Para mim ele seria um mistério.
Para mim sua obra poderia ser uma revelação, algo epifânico.
Por isso, até hoje, não estive realmente à frente de suas criações - talvez medo inconsciente
de acontecer aquela insistente desmistificação de tudo, pouco a pouco.
Para mim sua obra poderia ser uma revelação, algo epifânico.
Por isso, até hoje, não estive realmente à frente de suas criações - talvez medo inconsciente
de acontecer aquela insistente desmistificação de tudo, pouco a pouco.
C- Enfim, depois do que tinha de fazer, uma das obras de Kapoor estava à minha disposição sim - uma não, duas, mas sobre essa última eu nem quero falar.
No vão central do Centro Cultural Banco do Brasil, no foyer iluminado por luz natural da clarabóia, está a grande escultura de bronze de Kapoor (de 1999). Estou à sua frente.
No vão central do Centro Cultural Banco do Brasil, no foyer iluminado por luz natural da clarabóia, está a grande escultura de bronze de Kapoor (de 1999). Estou à sua frente.
D- Nada acontece. Ela é polida, muito bem acabada, dourada, muito maior do que eu, recostada numa das paredes do vão central do prédio. Já me disseram se tratar de um barco, de um grande olho, de uma vagina porque ela é grande, comprida, com uma abertura em forma de concavidade. Mas, para mim, ela não era nada, apenas uma escultura polida. Pensei se aquela imensa proporção poderia me oferecer algum tipo de sensação - ou ilusão, isso que é tão caro a Kapoor. Mas, para mim, ela simplesmente não era nada.
Talvez fosse sua colocação errada naquele espaço errado.
Talvez fosse minha colocação errada à sua frente.
Talvez não fosse nada mesmo, mas a insistente e iminente desmistificação.
Talvez fosse sua colocação errada naquele espaço errado.
Talvez fosse minha colocação errada à sua frente.
Talvez não fosse nada mesmo, mas a insistente e iminente desmistificação.
E- Há quem queira saber o que não é para saber literalmente.
Inclusive eu.
Inclusive eu.
F- A escultura de bronze eu não posso explicar. Pelo menos até agora.
A escultura de fumaça, Ascension, essa outra de Kapoor que ainda nem vi, eu não posso explicar.
Quem não sente, não sente o mistério visível (a mesma expressão de outra vez).
A escultura de fumaça, Ascension, essa outra de Kapoor que ainda nem vi, eu não posso explicar.
Quem não sente, não sente o mistério visível (a mesma expressão de outra vez).
Kapoor ainda renderá desdobramentos porque sei que SIM, sua obra vai me arrebatar em algum momento inesperado, à frente de sua monumentalidade feita de poucos recursos.



